Do ponto de vista da estrutura dos Poderes, as formas interativas não se restringem ao Executivo. “O Legislativo pode usar esses modelos de comunicação, ou modelos de relacionamento direto com o cidadão, para saber o que precisa fazer, o que precisa responder. No caso do Legislativo, talvez seja algo mais premente, pois esse Poder precisa dar uma sacudida, reverter essa relação distante e um pouco caricatural que ele acabou estabelecendo com a sociedade, que não o reconhece como seu representante”, avalia Fernando Limongi.
Os procedimentos interativos, analisados nesse contexto, não tendem a alterar a balança entre os dois Poderes. “O Executivo sempre tem muito mais informação e competência do que o Legislativo – é muito mais bem aparelhado para pensar políticas, responder em termos de políticas. O Executivo sempre estará em vantagem, mas, se o Legislativo usar modelos de informação mais eficientes, pode diminuir essa assimetria, pode se aproximar mais da condição do Executivo e ter uma participação mais positiva.”
Para Argelina Figueiredo, as formas interativas podem servir de insumos para atuação dos outros Poderes. “Se for apenas uma coisa de que o Executivo se apodere, em detrimento de opiniões com os outros Poderes, não é positivo. Essas formas devem ser usadas pelos outros Poderes também.”
Bruno Reis vê com bons olhos a possibilidade de participação dos cidadãos nas discussões legislativas. “Eu acho que é menos sair por aí contando cabeças online e muito mais uma intensificação do uso de tecnologias wiki [referente à enciclopédia interativa Wikipedia, construída online por internautas], por exemplo, que poderiam ser utilizadas em certos processos Legislativos. O parlamentar pode se beneficiar da web e melhorar seu trabalho, colocando o seu relatório ou uma minuta de um projeto de lei em uma página com recursos wiki, em que qualquer pessoa possa mexer.
Isso não significa, no entanto, uma delegação de poder. “É apenas uma maneira ágil de capturar sugestões, ao mesmo tempo em que o parlamentar continua tendo controle sobre a edição que venha a ser feita. Pode aceitar ou recusar as alterações, mas, se há pessoas diferenciadas trabalhando em um mesmo projeto, isso pode contribuir com a massa crítica necessária a um bom projeto de lei, pois ele contará com fontes mais diversificadas do que se fosse concebido por apenas um pequeno grupo, ainda que altamente qualificado.”


